Chove chuva..!

Rua em Rio das Pedras completamente debaixo d'água / Foto: Domingos Peixoto

A relativa acefalia que leva alguém a acessar o TeoDeos, AND ler o que eu escrevo (ou escrever isso), dificilmente permitirá a este vegetal disfarçado o acesso a informações de caráter informativo (!), útil ou pertinente à vida em sociedade. Entretanto não apenas por meio de relatos

jornalísticos mantemo-nos à par (é craseado?) do que acontece em nosso meio, às vezes somos vítimas daquilo que para milhões foi apenas uma notícia.

Terça feira, 06 de abril de 2010, foi um dia histórico para a cidade do Rio de Janeiro. Infelizmente não é com alegrias que digo isso; trato da epicidade e magnificência de uma tragédia, daquelas que marcam para sempre o local em que ocorrera e, principalmente, as pessoas que ali vivem. No m

eu caso não foi preciso assistir aos telejornais, que frenética e incessantemente transmitiam flashes da cidade maravilhosa, retratando a o estado de calamidade em que se encontrava a cidade; eu estava lá. E é muito diferente de “apenas” ver as imagens.

Ao contrário do que pode estar sendo lisergicamente processado por sua fértil imaginação, não, minha casa não desabou e, a despeito das três horas preso no congest

ionamento em retorno do trabalho no dia anterior e da impotência gerada pelo pedido das autoridades para que todos ficassem em suas casas, não fui diretamente afetado pelo caos pluvial que assolou a cidade. Entretanto eu vi de perto o desespero da luta entre o homem e a natureza imprevisível e impiedosa. Vi casas aos pedaços, morros que desabaram, pessoas que perderam seus entes mais queridos, colegas de trabalho que cavaram o barro a mãos nuas para retirar seus filhos de uma casa ainda suspensa entre duas pilhas de escombros que um dia foram lares de outras famílias. Vi também uma praia coberta de lixo e este sendo constantemente banhado por um mar em que tijolos pareciam ter sido dissolvidos para garantir tão distinta coloração. E vi ainda três malucos que pegaram suas pranchas body board e foram “surfar” nos bolsões de água que circundavam a lagoa Rodrigo de Freitas. Sério, tem gente que carece de noção.

De casa eu acompanhei tudo pela televisão – curiosamente não houve quedas de energia ou ausência de sinal de internet por onde moro. A situação da cidade era realmente chocante e me fez pensar, como muitos, acredito, em um fato curioso. Não é no Rio que haverá uma final de Copa do Mundo de Futebol em 2014 e Olimpíadas em 2016? Mesmo?

Pois é. Fiquei deveras intrigado com a situação. O que devem pensar os viventes das grandes nações do Globo quando veem uma coisa assim? Não me refiro à chuva em si, afinal New Orleans viveu um pandemônio com a passagem do furacão Katrina em 2005 e, mais recentemente, o Chile degustou um aperitivo do apocalipse com o tremor de terra de pontuação 8,8 na escala de Richter. A questão é que tais regiões aprenderam com os erros, nem passíveis de assim serem chamados, e agora mostram-se demasiadamente mais preparadas para catástrofes similares. Depois de uma queda terrível, uma ascensão triunfal se dá por meio da prevenção de novos escorregões. No nosso pais acontece algo diferente, digo, nada acontece. Embora tenham se pronunciado as autoridades em prol de melhorias infra estruturais, fica difícil levar em consideração um discurso que soa como pura conveniência. Não é a primeira nem a última calamidade desse tipo, que adquire proporções colossais como essas por questões de má administração pública e falta de conscientização da população (o papelzinho da bala que o senhor jogou no chão contribuiu para entupir o bueiro da sua rua) a afligir a cidade, tampouco o pais. Por quê, então, nunca se tomou uma drástica providência? Eu sei lá, especular não deve fazer bem à saude.

De qualquer forma é desanimadora a situação daqueles menos favorecidos. Ao menos o luto publicamente decretado parece um ato de sincera solidariedade. Sugiro que todos façamos o mesmo, sem necessidade de faixas pretas ou brados a quatro ventos. Difícil prever a repercussão dos fatos, mas é possível que a sujeira não fique apenas nas ruas e calçadas das cidades atingidas.

Reflita.

PS: ainda chove.

~ por Thales em 07/04/2010.

Uma resposta to “Chove chuva..!”

  1. PS2: hoje teve arrastão na cidade. Cool,isn’t it? =D

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