Jay Vaquer – Alive in Brazil



Só pra ficar com a moldura branca em volta da foto.

Dia desses (eu me lembro, fazia frio), me perguntava o porquê de uma categoria petulantemente intitulada “Música” nesse blog, uma vez que não se fala sobre tal assunto no mesmo. Foi por esse motivo que decidi compartilhar um pouco de minha peculiar apreciação por tão admirável manifestação cultural e, de quebra, dar uma dica de boa audição. Na minha modesta opinião, é claro.

Muitos podem emitir juízos de valor equivocados, se me permitem, a meu respeito quando digo que o pop/rock nacional não apresenta nada de novo há muito tempo. Preconceituoso é um termo por que já espero, dentre outros de calão talvez mais baixo (ou não). Entretanto, mesmo que não pelas mãos daquele único que salva, para tudo e todos existe sempre uma salvação; por mais que seja prepotência tratar dessa forma, a indústria fonográfica pop clama por auxílio criativo.

Falsas modéstias e discursos moralistas superados, vamos ao que interessa.

Por muito tempo tive que aturar um conhecido (OIMÁ!) saturando minha paciência com um tal de Jay Vaquer. Não parava de lembrar que eu precisava ouvir o som do cidadão, que era muito bom e blábláblá. Entretanto criatura essa tem gosto musical ímpar; crer nele cegamente representa um erro principiante, basta conhecer a figura. E foi um erro de fato. Um erro ter duvidado de tão honesta declaração, feita por um homem apaixonado por música assim como eu e você, leitor – acredito. Jay Vaquer é música de qualidade, altíssima qualidade. Até meu pai disse isso.

Calma! Não estou sugerindo que vá ouvir a enorme discografia de quatro discos (!) do rapaz. Muito pelo contrário, me proponho a indicar apenas o quinto álbum, e primeiro registro ao vivo, catalogado por ele: Alive in Brazil. O DVD, mais especificamente.

Jay Vaquer é um músico extraordinário. Considere isso quanto ao sentido etimológico da palavra; o que é X pra uns pode ser Y para outros. Extraordinário por fazer da sequência mágica da música harmonia irreconhecível com um simples arranjo e uma letra mordaz, capaz de tocar qualquer brasileiro são, em dia com as maracutaias evangélico-parlamentares tradicionais nesse país. Vaquer apresenta uma excentricidade encantadora quando se dispõe a encadear acordes, fugindo da mediocridade e do comum e criando belas e intrincadas canções (eu devo ter escrito errado e o Word corrigiu para “coesões”!). Apesar de nos agraciar com tão insólita e atraente sonoridade seu grande apelo se dá liricamente. Como um Djavan pop, com pitadas de Humberto Gessinger, o poeta Jay Vaquer se mostra fascinante. Um tema inusitado, pequenos contos trágicos e formas distintas de abordar o óbvio tornam admiráveis as palavras gravadas nos encartes de seus discos.

Por que violar tanto o pito de sua pelota? Para resumir o que será visto em Alive in Brazil. Toda a supracitada unicidade é constatada com uma despretensiosa conferida no show gravado sei lá onde nem quando. Basta fitar a primeira faixa e despertar a curiosidade em descobrir o que vem a seguir. Seleção de repertório, montagem de palco e teatralidade divertidíssima são parte do todo que compõe o espetáculo, com uma capacidade incrível de definir a personalidade do artista. O que se imagina ao ouvir cada faixa é exatamente o que se vê, em cada olhar, em cada expressão. No entanto o mais impressionante no concerto de Vaquer é ver que, sobre toda essa parafernália, ele emerge como instrumentista fenomenal. Não. Ele não toca violão, nem piano, nem triângulo, mas o instrumento de cordas que todos sonham saber tocar: a voz. O domínio que Vaquer tem sobre sua própria voz é embasbacante. Melodias difíceis em tons altos são magistralmente por ele conduzidas. Sem perder uma nota sequer, nem mesmo maquiar o seu desempenho no estúdio, Vaquer prova que além de ótimo compositor e letrista, é também excelente cantor. E canta em condições deveras adversas!

Não é uma recordação perfeita, claro. Como todas as que já vi, apresenta algum se não. Um, na verdade. O excesso de cortes na edição deixou o show impessoal aparentemente. O artista parece muito distante de seu público visto que hora nenhuma vemos aquele se comunicar com este. Além de tudo tal falha torna a reprodução muito curta, pouco mais de uma hora. Rookie mistake.

Como já coloquei, opinião, assim como bunda, cada um tem própria (quer dar a sua?). Posto isso declaro que Alive in Brazil, apesar de ser um petardo, e uma ótima maneira de conhecer um artista diferenciado, é recomendação de alguém que não tem nenhuma pretensão além de apenas compartilhar entretenimento.

Se achar que o investimento não vale à pena, admita ao menos que Mr. Bacon (!) e Mr. Baconzitos (!!!) ruleiam the world!

=D

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